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“Meu Dia do Meio Ambiente é todos os dias”, diz Bidu

Publicado em Cidades

“Tá falando com o Bidu. É direto com o munícipe aqui”, conversava por telefone o secretário de Meio Ambiente de Barueri, numa ligação que caiu diretamente em seu gabinete. Com a mesma descontração, Marco Antonio de Oliveira, o popular “Bidu”, recebeu a reportagem do jornal Cidade de Barueri para falar sobre o significado deste primeiro Dia Mundial do Meio Ambiente (05/07) desde seu retorno ao comando da pasta – ele já havia sido secretário no mandato anterior do prefeito Rubens Furlan (2009-2012).  “Como secretário não há um dia em que eu não viva o tema”, diz Bidu, biólogo de formação. 

 

Jornal Cidade de Barueri - Este será o seu primeiro Dia do Meio Ambiente neste seu retorno como secretário da Prefeitura. O que significa esta data para você?

 

Bidu - O Dia do Meio Ambiente, para mim, é todos dias. Há os dias especiais, como o Dia da Água, Dia da Biodiversidade, Dia do Meio Ambiente. Mas como secretário não há um dia em que eu não viva o tema. Este ano, para marcar a data, faremos a “Pedalada Verde” no domingo, dia 4, e esperamos receber mais de três mil ciclistas – porque nós que estamos na área, sabemos que há uma força tremenda dos ciclistas e dos protetores de aninais, são pessoas compromissadas e engajadas com a causa do meio ambiente. O passeio ciclístico sairá do ginásio José Corrêa e irá até o Parque Ecológico de Alphaville, onde acontecerão shows, sorteios de bicicletas e plantio simbólico de mudas de árvores. 

 

Que tipo de cobrança que a Secretaria do Meio Ambiente mais recebe em Barueri?

 

A cobrança maior é a limpeza e a condução dos parques, é por enquanto uma de nossas principais preocupações. Saneamento básico também é um assunto que estamos tratando bastante, já tive inclusive reunião com a Sabesp.

 

E como andam as tratativas da Prefeitura junto à Sabesp sobre esgoto?

 

Nós nos reunimos com a superintendência da Sabesp, e tratamos justamente da necessidade de fazer as coisas de fato acontecerem em Barueri. Nós queremos que o tratamento de esgoto chegue hoje aos 100%. Temos uma tratativa sobre o afastamento de esgoto, que eles cobram um absurdo, só que não adianta afastar e jogar dentro do rio Tietê, sendo que Barueri tem a maior estação de tratamento de esgoto da América Latina. 

 

Quanto é tratado de esgoto hoje em Barueri?

 

78% do esgoto produzido na cidade é afastado, e 54% deste esgoto é tratado. Ficamos quatro anos sem a Sabesp mexer em nada. Nós começamos lá trás as tratativas com a Sabesp (2009-2012, mandato anterior do prefeito Rubens Furlan), e depois parou tudo. Tanto é que discuti com o promotor de Justiça sobre saneamento básico em Barueri (Marcos Mendes Lyra), e a conversa foi muito boa. 

 

E qual é o horizonte que você trabalha em relação ao tratamento?

 

A meta é 100%, mas as dificuldades são muitas. Tem muita gente que entende ainda que uma fossa séptica é o melhor. Tem gente que ainda joga na rua a água de lavagem de roupa. Temos uma lei que obriga o munícipe a fazer a ligação de sua residência com a rede de esgoto, mas é difícil, dá pra checar até no Jornal Oficial o tanto de gente que a Secretaria notifica para executar essa ligação. A própria população tem que ajudar, e tem muita gente que não está nem aí. Tem muita gente que joga esgoto dentro do bueiro de água pluvial, isso é comum. 

 

Mas o que a Sabesp vai efetivamente fazer?

 

A Sabesp hoje é uma empresa mais flexível, e a gente sabe que ela teve lucro de milhões de reais que têm de ser convertido para nossa cidade, e estou aqui para batalhar. Mas temos tratativas, e as obras vão voltar. 

 

Como funciona o sistema de licenciamento ambiental da Prefeitura?

 

A Cetesb é a responsável pelo licenciamento de grandes empresas, e a Prefeitura faz para médio e pequeno empresário. O licenciamento ambiental em Barueri é muito rápido, mas nosso plano é implantar um sistema on-line, baseado num sistema de Campinas, para facilitar ainda mais. O licenciamento analisa o produto, se é perigoso em relação ao meio ambiente; o subproduto, para onde vai; o que acontece com o resíduo excedente de produção, vai na natureza, no esgoto; então a gente analisa tudo isso, o empresário tem que ter o caminho para todo o dejeto que ele produz.

 

E como a Prefeitura lida com a questão da compensação ambiental? 

 

É um ponto que está muito difícil, eu mudei a lei agora e vou ter que mudar de novo. Por exemplo, se o cidadão tem um terreno e quer construir sua casa, mas se há eucalipto ou um pinheiro neste terreno: a lei anterior fixava compensação de 40 mudas para cada árvore desta retirada da área. Além de pagar essas mudas, o cidadão tinha também que contratar um profissional para fazer o projeto de corte dessa árvore, e apresentar aqui na Secretaria. Outra: é preciso ainda pagar a um técnico o monitoramento desse plantio por dois anos. Analisando dessa forma, para cada eucalipto que o cidadão retirar de seu terreno, ele vai pagar R$ 10 mil de compensação, e eu não acho justo porque já há muita dificuldade em construir hoje em dia. Então mudamos de 40 para 5 as mudas de compensação para diminuir o custo. Em Campinas é uma árvore, e em Santana de Parnaíba são quatro – em Barueri a gente tinha essa discrepância. Nós mudamos a legislação só para o cidadão, não para empresa, mas eu vi por um outro lado que a situação do empresário também está gritante. Um empresário estes dias pagou R$ 69 mil que foram para o Fundo Municipal de Meio Ambiente, que serão usados em projetos ambientais, mas também não acho justo este valor. Vamos refazer a lei de novo, e incluir os empresários – às vezes ele quer investir em Barueri, mas desiste porque é uma lei muito severa. 

 

Quais são os projetos que podem ser financiados por meio do Fundo?

 

Essa receita de compensações vai financiar, por exemplo, a ampliação do Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) e a reconstrução de nosso Viveiro de Plantas. 

 

E o Cepad (Centro de Proteção ao Animal Doméstico), o que se pode esperar de novidades?

 

O Cepad tem hoje 40 vagas para cachorros e 40 para gatos. Vamos implantar mais 100 baias, vamos refazer o sistema de tratamento de esgoto e revitalizar o local, cujo prédio, por exemplo, não está bom. Também estou auxiliando o setor de zoonoses, que é da Secretaria de Saúde, e lá nós vamos aumentar a capacidade do canil municipal. Por isso, até tudo acontecer, o projeto de construir um hospital veterinário deve ficar para o ano que vem. 

 

Como se deu a parceria com a Fundação Casa para a pintura do muro do Cetas?

 

Foi junto à Secretaria de Promoção Social. É uma garotada assistida que tem um grande potencial artístico, e foi muito bacana valorizar esse trabalho deles. Unimos as áreas ambiental e social. Foi o “Projeto Grafite DNA”, com cerca de 10 garotos.

 

Como anda o projeto de transformar uma área do bairro Chácaras Marco em um parque municipal?

 

É o projeto! Há um córrego grande na área, que é o Cachoeira, e vamos tratar este córrego inteirinho até desembocar o rio Tietê, em um sistema implantado por uma empresa de Barueri junto a uma arquiteta da USP. A área (destinada ao parque) tem quase o dobro do Parque Dom José, que tem 90 mil m². Vamos fazer lá um balneário, um “piscinão” mesmo para a população. Vamos revitalizar a região com este parque. A ideia é também fazer um aquário nesse parque, como no Guarujá.

 

Fica pronto em quatro anos? E o custo?

 

Para falar a verdade, quero fazer (este parque) em um ano. Devemos investir cerca de R$ 20 milhões, receita que já foi aprovada. 

 

Há projeto também para outro parque, no Parque Santa Luzia?

 

Sim, ao lado do Parque da Maturidade. A princípio é lá que vamos fazer o “Jardim Botânico de Barueri”, semelhante ao Museu do Futuro do Rio de Janeiro. Já desapropriamos uma área de 20 mil m², mas vamos desapropriar outras. Vamos também falar com a Sabesp para que a empresa faça em sua área (contígua à do projeto) uma espécie de “Museu da Água”. Este projeto estamos fazendo em convênio com a USP, para que tenhamos tudo de ponta. E é neste espaço que devem entrar também o orquidário e o borboletário. Haverá todo um ambiente lúdico, meu foco são as crianças. Meu principal departamento é o de Educação Ambiental. Acredito que a gente precisa mudar a cabeça da criançada. 

 

Há já um prazo também para a implantação deste parque? E de quanto deve ser o investimento?

 

Também quero rápido! Quatro anos passam rápido, e se a gente não pensar também rápido as coisas não acontecem. Deve ficar em aproximadamente R$ 30 milhões, mais por causa das desapropriações, porque se trata de uma área nobre, onde ia sair quatro prédios. Eu abortei tudo, não deixei sair, não. 

 

Até onde a Secretaria pode “apitar” em lançamentos imobiliários?

 

É em relação ao impacto de vizinhança. Hoje os empreendimentos têm que passar também por aqui. Ainda não analisamos algum novo projeto nesta gestão. Pegamos os novos 680 lotes do Jardim Montreal (na região do Jardim Califórnia) já aprovados, mas ainda assim tive a oportunidade de falar com o empreendedor sobre 30% daquela área que é nativa, e pedi que fossem preservadas como reserva não do condomínio, mas doados à Prefeitura.

 

Falando em educação ambiental, a Secretaria hoje tem até mascotes... 

 

A criação dos mascotes foi em cima dos animais que entraram no Cetas. Todos os animais que foram felizes com a gente inspiraram a criação dessa turma, com votação na cidade: coruja, cachorro-do-mato e arara, e ganhou a coruja. Então houve um movimento para incluir a capivara, que não entrou porque nunca houve capivara no Cetas. Mas já que parte da população queria, decidimos fazer como nos três mosqueteiros, que na verdade são quatro. Fizemos a turminha com os mascotes, quem vai mandar é a coruja, e vamos convidar a capivara. Sairá até uma revistinha, e vamos fazer também os bonecos para os projetos de educação ambiental nas escolas. 

 

Como anda a questão da Unidade de Recuperação Energética, a usina que seria construída no bairro da Aldeia de Barueri?

 

Por enquanto abortada. Minha opinião como biólogo: visitei usinas na França, tem lugares que você toma um café na padaria ao lado de uma usina de queima de lixo, isso depende da cultura da pessoa. Para mim, a saída para o lixo é a reciclagem, mas temos que trabalhar isso hoje com as crianças, isso diminui muito o volume do que vai para o aterro. Mas o que vai para o aterro precisa ser queimado, por meio de pirólise, e é conveniente fazer isso. Só que ninguém quer uma usina ao lado de casa, e esse movimento na Aldeia é até justo. Mas o volume de gases que saem do tratamento de esgoto, por exemplo, é muito maior do que o que sairia da usina. 

 

 

 

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