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Aumenta idade média das pessoas mortas por Aids

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O boletim SP Demográfico nº 2/17, da Fundação Seade, mostra a evolução dos dados demortalidade por Aids coletados a partir do Registro Civil do Estado de São Paulo.

 

A epidemia de Aids teve início na década de 1980, atingindo em sua maioria homens. No Estado de São Paulo, as taxas de mortalidade por Aids registraram o pico em 1995, com 35,1 óbitos masculinos por 100 mil homens e 11,0 femininos por 100 mil mulheres. A partir de então, observa-se declínio da mortalidade, em função da introdução, em 1996, de antirretrovirais altamente potentes (“coquetel”) no tratamento dos pacientes, chegando, em2015, a 8,4 óbitos por 100 mil homens e 3,7 por 100 mil mulheres. Os homens continuam liderando nesse indicador, apesar de as diferenças terem se reduzido.

 

Ao longo do período 1990-2015, nota-se, para ambos os sexos, que as maiores reduções da mortalidade se deram, principalmente, nas idades infantis, entre os jovens e os adultos jovens. Políticas e procedimentos específicos para reduzir a transmissão vertical, que é a passagem do HIV da mãe para o filho, foram implementados, também desde 1996, tendo sido responsáveis pela relevante queda de casos de Aids registrados em crianças vítimas dessa forma de transmissão. A taxa de mortalidade por Aids no grupo de 0 a 4 anos atingiu, em 1995, 5,0 óbitos por 100 mil crianças, passando para 0,2 em 2015. A taxa de mortalidade para o grupo de 25 a 29 anos diminuiu 92%, para ambos os sexos, entre 1995 e 2015, destacando-se os diferenciais por sexo, em que as taxas passaram de 27,4 para 1,8 óbitos por 100 mil mulheres e de 82,1 para 6,9 óbitos por 100 mil homens.

 

Apesar de ser uma doença infecciosa, atualmente a Aids vem apresentando caráter crônico e a crescente sobrevida tem contribuído para o aparecimento de problemas de saúde decorrentes do envelhecimento dos pacientes, da exposição prolongada à terapia antirretroviral, ou ainda de fatores de risco presentes na população em geral.

 

Esse cenário de envelhecimento pode ser constatado no aumento da idade média entre os indivíduos que morreram por Aids. Em 1990, esse indicador era de 33 anos para os homens e de 29 anos para as mulheres, registrando um acréscimo bem expressivo, em 2015, quando a idade média ao morrer de Aids passou para 45 e 46 anos, respectivamente, com as mulheres superando o indicador masculino. Verifica-se, assim, um comportamento mais próximo ao da mortalidade total da população residente no Estado de São Paulo em 2015, em que a idade média ao morrer é menor para os homens (62 anos) em relação às mulheres (68 anos).

 

A análise do estado civil das vítimas de Aids, entre 1995 e 2015, mostra que o grupo dossolteiros continua com a maior proporção das ocorrências, em ambos os sexos, esboçando uma discreta queda nesse período (de 68,0% para 66,5%, entre os homens, e de 58,7% para 56,6%, entre as mulheres). Em seguida aparecem os casados, que registraram um decréscimo mais expressivo, passando de 24,4% para 18,6% dos óbitos da população masculina e de 22,3% para 15,4% dos óbitos da população feminina. Os maiores aumentos ocorreram nas proporções registradas para o conjunto dos separados, no qual são incluídas as pessoas divorciadas, desquitadas ou separadas judicialmente. Em 1995 esse grupo representava 3,4% dos óbitos entre homens e 4,5% entre as mulheres, passando para, respectivamente, 10,1% e 14,7% em 2015.

 

No início da epidemia por Aids, se acreditava em grupos de risco para a doença, porém, concluiu-se que a postura da segurança individual deve ser o foco, independente de idade, sexo ou estado civil da pessoa. As informações auxiliam muito para direcionar os estudos e planejamentos, indicando as populações mais vulneráveis, mas os riscos estão presentes para todo o universo, evidenciando a necessidade de campanhas que alertem o público em geral para a importância da prática do sexo seguro e cuidados no uso de agulhas.

 

 

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